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Reserva de emergência: como construir uma?

Henrique Pavan / 06/10/2020 / Finanças Pessoais

21 jun

    3MIN DE LEITURA

    Por Henrique Pavan

    Reserva de emergência: como construir uma?

    Você sabe o que é e como construir sua reserva de emergência? Antes de nos aprofundarmos mais no assunto, já podemo te adiantar que a reserva de emergência é aquela “sobra” financeira que te permite fazer frente tanto a compromissos financeiros planejados como também aos inesperados.

    Já diria o célebre economista John Maynard Keynes que a incerteza é um elemento permanente na economia. É importante guardar uma pouco de dinheiro para possíveis imprevistos futuros. Mas antes de tudo, precisamos falar de planejamento e da organização de suas receitas e despesas. Comece anotando todos os seus gastos.

    Aprendendo a poupar 

    Classifique alguns gastos como supérfluos. Comprar marcas mais baratas e diminuir quantidade de consumo de alguns itens pode ser uma boa alternativa. Quem sabe diminuir viagens em aplicativos de transporte e utilizar um pouco mais de transporte público em seu caminho para a faculdade ou trabalho; fazer mais trajetos a pé ou de bicicleta ou optar por preparar suas próprias refeições e comer menos fora de casa?

    Se o dinheiro começar a aparecer já será a hora de programar a reserva de emergência. 

    Planejamento

    Uma vez feita essa organização, chega a hora do planejamento. Muitas vezes ele pode vir associado a uma meta. De quanto eu precisaria se eu ficasse sem emprego por seis meses, por exemplo? Qual o valor dos imprevistos que podem surgir, como o conserto do carro ou um tratamento médico? Lembre-se que todos nós temos o ímpeto de usufruir o presente e, com isso, muitas vezes gastamos mais que o necessário. Uma maneira de driblar isso é estipular uma meta ainda mais atrativa: uma reforma na casa, aquele carro dos sonhos, uma viagem, etc. Com ou sem meta, o importante é ter a disciplina de poupar uma quantia todo mês. Mesmo que seja pouco é melhor do que nada.  

    Não fique desanimado se você só consegue poupar uma quantia baixa a cada mês. Não tem problema. O importante é começar. Programe em seu banco uma transferência mensal desse valor para a poupança. Se você conseguir poupar mais, melhor ainda. 

    Fugindo dos empréstimos 

    Imagine a seguinte situação. Seu computador quebrou e você não tem reserva de emergência. Você precisa muito do computador para trabalhar. O que você faz? Vai ao banco e pede um empréstimo!. Pois é, muita gente faz isso e acaba se atolando em dívidas. Isto porque as taxas de juros cobradas pelos bancos não são nada amigáveis. 

    Jornal Valor Econômico fez um levantamento das taxas de juros médias cobradas de pessoas físicas pelos bancos. 

    Taxas de juros médias para pessoa física, em % ao ano 

    Tipos de empréstimos  Taxa de juros em Agosto de 2020 
    Cheque especial  130,84% 
    Aquisição de outros bens  51,81% 
    Crédito pessoal não consignado  44,41% 
    Consignado setor privado  29,23% 
    Consignado setor público  18,30% 
    Consignado INSS  20,98% 
    Aquisição de veículos  18,58% 
    Crédito parcelado  133,44% 

    Veja que, mesmo os créditos mais baratos (consignados, por exemplo) ainda assim cobram juros muito mais altos que qualquer aplicação em renda fixa existente. Ou seja, para seu dinheiro render é necessário ter organização, planejamento e disciplina. Mas para se endividar é um pulo. 

    Falando em renda fixa … 

    É recomendável que você faça sua reserva de emergência em renda fixa. Mais procure ir além da poupança. Ainda que ela possua liquidez (

    disponível para suas transações diárias), seu rendimento atual é muito baixo – 1,4% ao ano. 

    Mas e a renda variável? Bem, a reserva de emergência é algo que precisa estar disponível a curto prazo. Por isso, tem esse nome. Assim sendo, aplicações em renda variável não são recomendáveis. Já a renda fixa possui a vantagem de te dar segurança e liquidez imediata, ainda que os rendimentos sejam baixos.  A seguir, veremos algumas dicas de investimentos em renda fixa que podem te ajudar. 

    Tesouro Selic 

    O Tesouro Selic é um título público que possui rendimento vinculado à taxa Selic (hoje em 2% a.a.). Como a Selic não deve baixar mais que isso, a tendência é que seu rendimento aumente. Esta aplicação te propicia muita segurança, já que é um empréstimo que você faz ao governo. E se você tiver uma emergência, você pode vendê-lo que o dinheiro cai na sua conta dentro de um dia útil.  O imposto de renda será cobrado em uma alíquota entre 15% e 22,5%, dependendo do prazo da aplicação. Mesmo assim, dificilmente você perde dinheiro. 

    CDB 

    Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são empréstimos que você concede a um banco. Tais empresas necessitam de recursos para financiar suas atividades do dia a dia. Então elas emitem CDBs e pagam juros em troca dos recursos emprestados. Hoje em dia, os CDBs pagam juros um pouco acima da taxa Selic e podem apresentar liquidez diária. Ou seja, se você vende, você recebe o montante investido mais os juros no mesmo dia! Neste caso, você também pagará imposto de renda de 15% a 22,5%, dependendo do prazo de aplicação. 

    LCI e LCA 

    As LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) são títulos emitidos por empresas do setor imobiliário e do agronegócio, respectivamente, e podem ter liquidez diária. A vantagem é que são isentas de impostos. A desvantagem é que podem propiciar um rendimento inferior aos títulos tributados. 

    Fundos de Renda Fixa 

    Os fundos de renda fixa são carteiras montadas por gestores profissionais que alocam 80% dos recursos em ativos de renda fixa como CDBs ou títulos do tesouro. São uma verdadeira mão na roda, pois você transfere a outra pessoa a responsabilidade de compor uma carteira de investimentos. Além de tudo apresentam a vantagem da diversificação de ativos. A tributação também varia entre 15% e 22,5% e a liquidez ocorre em D+1, ou seja, você recebe seu dinheiro um dia após a venda. 

    Concluindo … 

    Guardar algum dinheiro já é bom. Guardar e ter algum rendimento é melhor ainda. É importante ir caminhando passo a passo para compor sua reserva emergencial. Uma vez que você já tenha adquirido essa habilidade, poderá começar a pensar em investimentos de longo prazo. Neste caso, portanto, a renda variável é mais vantajosa. Mas isto é assunto para outros posts. 

     


    Henrique Pavan

    Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.

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