A Argentina sempre esteve no noticiário por conta de suas crises, mas o que está acontecendo agora pode representar uma virada de página. Depois de décadas de instabilidade, hiperinflação e promessas de ajuste que nunca se concretizaram, o governo de Javier Milei decidiu adotar medidas duras para reorganizar a economia. É como se o país estivesse passando por uma cirurgia de emergência: o processo é doloroso, mas necessário para garantir um futuro mais saudável.
No fim de 2023, a inflação na Argentina passava de 25% ao mês, um patamar que lembrava os piores momentos de hiperinflação no Brasil antes do Plano Real. Em pouco mais de um ano, esse número caiu para algo próximo de 2% ao mês. Essa desaceleração aconteceu porque o governo cortou gastos, eliminou subsídios e parou de imprimir dinheiro sem controle. Os dados mostram que, só em 2024, os gastos públicos caíram quase 27% em termos reais, uma redução equivalente a 4,5 pontos percentuais do PIB, algo inédito no país.
Além do ajuste fiscal, a estratégia para estabilizar a moeda também fez diferença. Após uma forte desvalorização inicial do peso, o governo adotou um regime chamado crawling peg, que promove uma desvalorização gradual de cerca de 2% ao mês. Isso trouxe mais previsibilidade e ajudou a ancorar expectativas, em vez de deixar o câmbio correr solto. O resultado combinado foi claro: a inflação, que chegava a 26% ao mês no final de 2023, recuou para menos de 3% mensais em 2024 e início de 2025.
Para 2025, as projeções oficiais falam em crescimento de 5% do PIB (o maior crescimento da América Latina), inflação anual em torno de 20% e contas equilibradas. Para um país acostumado com crises, essa combinação já é um feito histórico.
Outro passo importante foi o fim do famoso cepo, o controle que limitava o acesso dos argentinos ao dólar. Agora o câmbio funciona em um sistema de bandas, o que trouxe mais estabilidade e ajudou a recompor reservas internacionais. Só para ter uma ideia: as reservas brutas subiram de US$21 bilhões no final de 2023 para US$38 bilhões em meados de 2025. Isso dá mais confiança para investidores e empresas que querem operar no país.
Se no passado a Argentina ficou marcada por crises de dívida, no futuro ela pode ser lembrada pelo seu papel como exportadora de energia e de commodities. A região de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás de xisto do mundo, deve transformar a balança comercial do país. Estimativas falam em até US$25 bilhões de impacto positivo até 2030.
O setor externo também ganhou fôlego com a recuperação agrícola e a perspectiva de aumento nas exportações de minérios como lítio e ouro. Para potencializar esse movimento, o governo lançou um programa de atração de grandes investimentos, já com projetos bilionários anunciados em energia, mineração e infraestrutura, sinalizando entrada de capital produtivo e espalhamento da renda e emprego.
Mesmo com tanto aperto, Javier Milei segue com apoio popular considerável. As pesquisas mostram que seu partido, La Libertad Avanza, deve ganhar força nas eleições legislativas de outubro de 2025. Isso é fundamental porque, para avançar em reformas como a previdenciária e a tributária, ele precisa de maioria no Congresso.
Com regras mais estáveis e instituições fortalecidas, a previsibilidade de fluxos de caixa melhora e o prêmio de risco cai. O ciclo de normalização política, fiscal e monetária, caminhando na mesma direção, reduz a chance de rupturas e de mudanças bruscas de rota que historicamente penalizaram o país.
Apesar de toda essa transformação, o mercado de ações argentino ainda negocia com forte desconto. Em média, as empresas valem metade do que valiam entre 2015-2017, mas agora com fundamentos muito mais sólidos.
O setor bancário, por exemplo, representa menos de 10% do PIB em crédito — algo muito baixo quando comparado a outros emergentes. Se o crédito voltar a crescer, os bancos têm muito espaço para expandir e gerar valor. No setor de energia, Vaca Muerta é o grande motor, enquanto utilities e infraestrutura também oferecem potencial de recuperação com a volta dos investimentos.
Quem acompanhou o Brasil nos anos 1990 pode sentir um certo déjà-vu. Quando o Plano Real estabilizou a economia, a bolsa brasileira subiu mais de 500% em apenas três anos. A Argentina vive agora um momento parecido: inflação em queda, câmbio mais estável, entrada de capital estrangeiro e ativos ainda muito baratos.
Há, claro, diferenças e riscos. A apreciação real do câmbio requer atenção para não minar a competitividade, e a batalha da estabilização não está totalmente ganha. A continuidade do ajuste fiscal e a execução de projetos exportadores em agro, petróleo e minérios são peças essenciais para transformar a melhora cíclica em trajetória de longo prazo.
A Argentina está longe de resolver todos os seus problemas. O país ainda precisa aumentar suas reservas líquidas, reduzir a pobreza e consolidar reformas de longo prazo. Mas, no curto e médio prazo, o que vemos é uma das oportunidades mais interessantes do cenário global: ativos baratos em um país que está começando a se reerguer.
O paralelo com o Brasil dos anos 1990 é útil: estabilização sólida tende a atrair portfólio e investimento direto, que alimentam a própria melhora do balanço de pagamentos. Os estudos comparativos mostram que, em ciclos semelhantes, a valorização de bolsas pode se estender por anos quando a âncora fiscal e o regime cambial se mantêm críveis.
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